quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Tatuagem é o retrato da igreja no Brasil


Não é de hoje que uma “guerra”, acirrada, é travada. Antes se restringia aos corredores e salas das igrejas, hoje ganhou o mundo através das redes sociais. Afinal de contas, fazer a tal da tatuagem é pecado ou não? Bem, não serei eu o portador da palavra final a respeito disso. Porém, quero trazer a tona algo que para mim é muito mais destrutivo, muito mais nocivo que se ter ou não tatuagem. O pior fato, em meio a toda essa discussão, é total falta de amor, tanto dos que são a favor, quanto dos que são contra.

Tenho mais de trinta anos de membro de igreja e tive a oportunidade de acompanhar algumas mudanças em relação à forma de tratar deste assunto. No passado, muitos dos que tinham tatuagens, geralmente, eram associados a “bandidos”, rebeldes, tresloucados, baderneiros, etc.. Essa visão não era exclusiva da igreja, a própria sociedade, de uma forma geral, taxava aos tatuados desta mesma maneira. Hoje em dia mudou essa visão? Sim, bastante. Porém, somos igreja, local onde pecadores de todos os tipos, modelos e acessórios podem e devem entrar. Mas ainda assim, carrega uma carga pesada de preconceito e desprezo por parte de muitos. E ai vem a pergunta: O sangue de cristo nos purifica de todos os pecados mesmo? A Bíblia deixa claro que existe apenas um pecado que não tem perdão que é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Então lá vem a pergunta que não quer calar: Porque muitos tratam os tatuados como se estivessem blasfemando contra o espírito Santo, imperdoáveis? A resposta é simples: Falta amor, amor para entender que outro é diferente, que o outro é resultado de uma série de escolhas, que também é imperfeito e que necessita do amor de Deus, e necessita, também, do amor dos irmãos. E isso não se deve a sua aparência, e sim ao pecado que habita em sua vida.  Certamente, hoje, é impossível definir alguém, tirar conclusões a respeito do outro simplesmente olhando se tem ou não tatuagem. Qualquer decisão tomada a partir deste conceito será totalmente absurdo, irreal e desproporcional, e principalmente anticristão.

Mas por outro lado sempre me vem a pergunta: O que tem motivado, principalmente, aos jovens das igrejas querer fazer tatuagens? Qual tem sido o padrão de comportamento que tem influenciado uma geração de adoradores, que buscam na Bíblia, viver como Cristo viveu, querer adotar para si algo que até então, nunca fez parte da igreja como um todo? É claro que não é regra geral, mas o que me espanta é ver que a razão é a mesma: Falta de amor.  Estranho não é mesmo? Mas é verdade! Os argumentos que são utilizados sempre são: Isso não é pecado, isso não está na Bíblia, isso é coisa de gente arcaica, Deus conhece meu coração, ninguém pode me julgar, etc. e etc.. É possível que todas, ou quase todas essas respostas sejam até verdadeiras(rsrs), mas não é o problema principal. Voltemos a algo que, já por algum tempo, não assusta mais ninguém que é a questão do escandalizar o irmão fraco na fé  (1 Co 8:9)  (Rm  14:13). Não nos interessa mais saber a respeito do outro. A necessidade de renunciar-se simplesmente por causa do amor ao outro não existe mais, são conceitos antigos que não representam os ideais de uma geração que tem respostas prontas para todas as perguntas existenciais.

Chegamos a um ponto em que eu e você, leitor, precisamos olhar para dentro de nós mesmos e questionarmos que tipo de cristianismo estamos vivendo. Será que conceitos como, andar duas milhas, oferecer a outra face, dar a túnica, amar o inimigo, deixaram de existir? Será que não são mais relevantes? O Senhor nos deixou apenas dois mandamentos. No primeiro, estamos sempre negociando o nosso amor com Deus, pois ele ainda pode nos ser muito útil e nos oferecer algo que nos interesse. No segundo mandamento, em relação ao próximo não existe muito mais razão para amá-lo, pois ele é descartável, sem importância.

Amigos, a obra realizada por Cristo na Cruz foi algo tão espetacular que é capaz de acertar todas as arestas, de mudar o imutável, de trazer vida aonde só existem ossos cecos. O principio para que isso aconteça é medido a partir do quanto estamos realmente dispostos a segui-lo sem olhar pra trás, do quanto estamos dispostos a abrir mãos de nós mesmo e o quanto estamos empenhados a servir e amar ao outro. A caminhada é longa, cheias de batalhas, com inimigos a espreita por todos os lados tentando nos tragar. Ficará muito mais fácil tendo companhias saudáveis, que buscam juntos, aceitam as diferenças, buscam santidade, “matam” o seu eu, considera o seu irmão superior a si mesmo, visitando os órfãos e viúvas em suas aflições. Graças a Deus pelo seu Santo Espírito que é quem faz com que essas coisas aconteçam. Busquemos então isso, o Reino de Deus será fortalecido e o nome do nosso Senhor será exaltado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário