Não é de hoje que
uma “guerra”, acirrada, é travada. Antes se restringia aos corredores e salas
das igrejas, hoje ganhou o mundo através das redes sociais. Afinal de contas,
fazer a tal da tatuagem é pecado ou não? Bem, não serei eu o portador da
palavra final a respeito disso. Porém, quero trazer a tona algo que para mim é
muito mais destrutivo, muito mais nocivo que se ter ou não tatuagem. O pior fato,
em meio a toda essa discussão, é total falta de amor, tanto dos que são a
favor, quanto dos que são contra.
Tenho mais de trinta
anos de membro de igreja e tive a oportunidade de acompanhar algumas mudanças
em relação à forma de tratar deste assunto. No passado, muitos dos que tinham
tatuagens, geralmente, eram associados a “bandidos”, rebeldes, tresloucados,
baderneiros, etc.. Essa visão não era exclusiva da igreja, a própria sociedade,
de uma forma geral, taxava aos tatuados desta mesma maneira. Hoje em dia mudou
essa visão? Sim, bastante. Porém, somos igreja, local onde pecadores de todos
os tipos, modelos e acessórios podem e devem entrar. Mas ainda assim, carrega uma
carga pesada de preconceito e desprezo por parte de muitos. E ai vem a
pergunta: O sangue de cristo nos purifica de todos os pecados mesmo? A Bíblia
deixa claro que existe apenas um pecado que não tem perdão que é a blasfêmia
contra o Espírito Santo. Então lá vem a pergunta que não quer calar: Porque
muitos tratam os tatuados como se estivessem blasfemando contra o espírito
Santo, imperdoáveis? A resposta é simples: Falta amor, amor para entender que
outro é diferente, que o outro é resultado de uma série de escolhas, que também
é imperfeito e que necessita do amor de Deus, e necessita, também, do amor dos
irmãos. E isso não se deve a sua aparência, e sim ao pecado que habita em sua
vida. Certamente, hoje, é impossível definir
alguém, tirar conclusões a respeito do outro simplesmente olhando se tem ou não
tatuagem. Qualquer decisão tomada a partir deste conceito será totalmente
absurdo, irreal e desproporcional, e principalmente anticristão.
Mas
por outro lado sempre me vem a pergunta: O que tem motivado, principalmente,
aos jovens das igrejas querer fazer tatuagens? Qual tem sido o padrão de
comportamento que tem influenciado uma geração de adoradores, que buscam na Bíblia,
viver como Cristo viveu, querer adotar para si algo que até então, nunca fez
parte da igreja como um todo? É claro que não é regra geral, mas o que me
espanta é ver que a razão é a mesma: Falta de amor. Estranho não é mesmo? Mas é verdade! Os
argumentos que são utilizados sempre são: Isso não é pecado, isso não está na
Bíblia, isso é coisa de gente arcaica, Deus conhece meu coração, ninguém pode
me julgar, etc. e etc.. É possível que todas, ou quase todas essas respostas
sejam até verdadeiras(rsrs), mas não é o problema principal. Voltemos a algo
que, já por algum tempo, não assusta mais ninguém que é a questão do
escandalizar o irmão fraco na fé (1 Co 8:9) (Rm 14:13). Não
nos interessa mais saber a respeito do outro. A necessidade de renunciar-se simplesmente
por causa do amor ao outro não existe mais, são conceitos antigos que não
representam os ideais de uma geração que tem respostas prontas para todas as
perguntas existenciais.
Chegamos a um ponto
em que eu e você, leitor, precisamos olhar para dentro de nós mesmos e
questionarmos que tipo de cristianismo estamos vivendo. Será que conceitos como,
andar duas milhas, oferecer a outra face, dar a túnica, amar o inimigo, deixaram
de existir? Será que não são mais relevantes? O Senhor nos deixou apenas dois
mandamentos. No primeiro, estamos sempre negociando o nosso amor com Deus, pois
ele ainda pode nos ser muito útil e nos oferecer algo que nos interesse. No
segundo mandamento, em relação ao próximo não existe muito mais razão para
amá-lo, pois ele é descartável, sem importância.
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